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  <title>noites brancas</title>
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    <title>cinco de dezembro</title>
    <published>2009-12-02T21:21:11Z</published>
    <updated>2009-12-02T21:21:11Z</updated>
    <lj:music>air - cherry blossom girl</lj:music>
    <content type="html">numa tarde de inverno por vir, fito-te lendo frente à lareira . um livro que ambos sabemos de cor, apesar da discórdia no parágrafo predilecto . fito-te aninhado no sofá, lendo sereno, e redescubro o ângulo perfeito do teu perfil, traçado a régua e esquadro, e sorrio por dentro . a tarde dissolve-se na chuva oblíqua que varre a janela da sala, enquanto lês, sereno . fito-te demorada, sendo inverno contigo, sem que o saibas .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;tu também nasceste no outono .&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;</content>
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    <title>novembro</title>
    <published>2009-11-15T15:58:07Z</published>
    <updated>2009-11-15T16:18:42Z</updated>
    <lj:music>amália rodrigues - the nearness of you</lj:music>
    <content type="html">&lt;div align="center"&gt; &lt;img src="http://ceresia.no.sapo.pt/rita036.jpg"&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mil invernos por acontecer .</content>
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    <title>casulo</title>
    <published>2009-10-19T00:37:56Z</published>
    <updated>2009-10-19T00:48:36Z</updated>
    <lj:music>3-11 porter - surround me</lj:music>
    <content type="html">de um coração apressado .</content>
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    <title>ceresia @ 2009-09-15T12:37:00</title>
    <published>2009-09-15T11:47:43Z</published>
    <updated>2009-09-15T23:00:40Z</updated>
    <lj:music>at swim two birds - i must be losing you</lj:music>
    <content type="html">um suspiro asfixiado no peito e os dedos entrelaçados em nós que não se desatam, como noutras despedidas, dolorosas da vontade, depois das noites brancas em que nos recusávamos amanhecer .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o sopro manso da respiração difícil, um pequeno coração nas mãos, submerso na falta desmesurada dos lugares onde será sempre inverno . e cá dentro, cá dentro, ileso e sobrevivo, o alpendre das buganvílias, onde hei-de esperar, todos os dias, que regresses .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;img src="http://ceresia.no.sapo.pt/rita035.JPG"&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;num murmúrio de árvores trespassadas de saudades e vento, o corpo gelado, fitando a solidão das cortinas despenteadas na casa vazia .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;agora estou aqui: quero que me saibas aqui. se ainda quiseres, dá-me, outra vez, a mão - não hei-de perder-te, desta vez.&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;</content>
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    <title>tangerinas em julho</title>
    <published>2009-07-20T00:59:40Z</published>
    <updated>2009-07-20T00:59:40Z</updated>
    <lj:music>vidro azul</lj:music>
    <content type="html">agora descansas, sereno . &lt;br /&gt;&lt;i&gt;serena, serena tu, aninhada na espera . &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deitada na nossa cama, friorenta .&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;friorento, meu amor, que no teu corpo nocturno &amp;eacute; sempre janeiro . &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dou-te um beijo, devagar . &lt;br /&gt;não acordas, mas aconchegas-te nos lençóis .&lt;br /&gt;&lt;i&gt;aconchegas-te sempre, mansa, nos lençóis quando te beijo adormecida .&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vou à cozinha, beber água, ver o quintal . &lt;br /&gt;amanhã faço-te torradas para o pequeno almoço .&lt;br /&gt;&lt;i&gt;e levo-te um café quente, com açúcar, para acordares .&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;regresso ao quarto . e deito-me a teu lado, vaidoso deste amor irredutível .&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;vaidosa, vaidosa eu, de ser contigo .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;agitas-te e dou-te a mão, aninhando-nos aos dois, num abraço em meia lua .&lt;br /&gt;&lt;i&gt;mesmo quando dormes, profunda, procuras a minha mão .&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;img src="http://ceresia.no.sapo.pt/rita034.jpg"&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;somos iguais, tu e eu, absolutamente iguais - dois gomos da mesma tangerina .</content>
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    <title>promessa</title>
    <published>2009-05-29T00:11:00Z</published>
    <updated>2009-05-29T01:07:35Z</updated>
    <lj:music>antony and the johnsons - the lake</lj:music>
    <content type="html">&lt;div align="center"&gt; &lt;img src="http://ceresia.no.sapo.pt/rita033.jpg"&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;trago-te, permanente, comigo .&lt;br /&gt;sempre me foste amor adivinhado, na desmesura poética das buganvílias floridas nos alpendres de outras primaveras .&lt;br /&gt;e das esperas desencontradas no corredor do sol oblíquo, reconheço, inteiras, as janelas do nosso quarto - e a cómoda que não teremos, desarrumada de livros e discos que sabemos de cor .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e se és a minha metáfora predilecta, hei-de desenhar-te este amor vermelho-azul num prelúdio de beijo perfeito, com o coração descompassado a cada regresso anunciado .</content>
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    <title>primeiro andamento</title>
    <published>2009-05-26T23:42:11Z</published>
    <updated>2009-05-27T00:45:40Z</updated>
    <lj:music>ludovico einaudi - fuori dal mondo</lj:music>
    <content type="html">não é uma espécie de cobrança doce que te faz saber, até às entranhas, que tens por que viver e morrer?&lt;br /&gt;não é uma espécie de arrepio que te percorre na evidência de seres, de facto, de alguém?&lt;br /&gt;não em sentido abstracto, mas no sentido mais puro e directo de alguém que te cobra porque te ama .&lt;br /&gt;porque te precisa e te tem por seu .&lt;br /&gt;e não é tão bom e apaziguador?&lt;br /&gt;não é uma espécie de noite de inverno à lareira?&lt;br /&gt;não é um lugar desenhado numa cama morna, nas manhãs de sábado?&lt;br /&gt;não é a mesma gaveta comum das meias e dos dias despenteados?&lt;br /&gt;não é disso que se trata?, de um amor que te arrasta e consome?&lt;br /&gt;tanto que deixas de saber exactamente onde começas tu e acaba o outro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e nessa confusão de espaço e tempo e carne, cobras porque os sabes mesmo teus, são definitivamente teus, o outro, o amor e a vontade .&lt;br /&gt;e seres, assim, confirmada e reafirmadamente feliz, a cada cobrança .&lt;br /&gt;e em todo o absurdo que isso encerra - muito para lá do absurdo que parece encerrar -, desenhar-se o amor, nas menoridades .&lt;br /&gt;é mesmo assim .</content>
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    <title>valsa trezentos e sessenta</title>
    <published>2009-04-18T16:05:41Z</published>
    <updated>2009-04-18T16:05:41Z</updated>
    <lj:music>antony and the johnsons - epilepsy is dancing</lj:music>
    <content type="html">amo-te, cereja. - respondeu mirtilo em tom quase mudo, de modo a que apenas ela o ouvisse. e assim eram cereja e mirtilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e donde vem este amor doido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;daqui. - disse mirtilo no meio do silêncio televisivo, enquanto atrapalhadamente soltava a mão de cereja no seu próprio peito, como que querendo mostrar de onde vinha esse amor que sempre sentira por ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;emocionas-me muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mirtilo nada disse, limitou-se a olhá-la e a sorrir. era algo que estava além das palavras de que tanto gostavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;não podia amar-te menos .&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;</content>
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    <title>vinte de abril</title>
    <published>2009-04-06T00:22:39Z</published>
    <updated>2009-04-06T00:22:39Z</updated>
    <lj:music>vidro azul</lj:music>
    <content type="html">quantas vezes te escrevi o amor, quantas vezes adormeci a sonhar-te . e quantas vezes te beijei, secreta e nocturna, sem que soubesses .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quantas vezes fizemos amor, mesmo antes de sermos, muito antes de sermos, e quantas vezes desenhei vidas e desencontros e abraços e reencontros contigo .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e quantas vezes nos perdemos, quantas noites te chorei, quantos descompassos e arritmias, quantas primaveras passaram entre nós, meu amor .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e se sempre te soube, se sempre te adivinhei, há quanto tempo te amo . e como se mede o tempo do amor - desde o primeiro sorriso em conversas honestas, cruas, velozes, madrugada dentro, ou desde o primeiro vinho a dois, entre beijos e promessas e certezas e confirmações . &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;submersa de saudade, amor e vontade, rasgar a distância e aninhar-me no teu corpo, minha casa e minha vida . e acender a fome, declarar-me tua: a cada balanço lento, a cada beijo manso . e fazer-te ceder, meu, irremediavelmente meu, em encaixes urgentes e deslizes compassados . completamente tua, trocando de corpo e de coração contigo .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e foi na primavera, porque o sol era oblíquo e floriam as buganvílias . mas se te amo desde que me lembro, foi há muitos invernos atrás - muitos invernos antes de nós .</content>
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    <title>mensagem</title>
    <published>2009-01-27T15:19:27Z</published>
    <updated>2009-01-27T15:19:27Z</updated>
    <lj:music>cat power - could we</lj:music>
    <content type="html">há uma árvore em frente das janelas altas do nosso quarto . agita-se, despenteada, quando a percorre o vento nocturno . são amantes, como os nossos corações de inverno . temos vários livros nas mesas de cabeceira e o jornal de sábado pelo chão . e alguns discos, intimistas, sobre a cómoda . ainda não temos filhos . vivemos este amor a dois - árvore e vento . e somos tão felizes como nas madrugadas adolescentes, no banco de trás da nossa vida .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(de cor, meu amor, lembro-me dela assim .)</content>
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    <title>bilhete</title>
    <published>2009-01-04T01:28:16Z</published>
    <updated>2009-01-04T01:28:16Z</updated>
    <lj:music>ana torroja y miguel bose - me cuesta tanto olvidarte</lj:music>
    <content type="html">são pedaços de memórias dos dias felizes .&lt;br /&gt;o registo do amor que somos - do amor que fazemos, a cada detalhe, a cada pormenor . e se somos iguais, meu mirtilo, neste amor doido, feito mil vezes, em madrugadas velozes e despenteadas, desfeito outras tantas, nos beijos que damos enquanto trocamos de coração .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;são as viagens, as chegadas aos lugares onde já fomos muito felizes - pousar-me no teu ombro, pedindo colo, aninhando-me no teu braço direito . são os abraços em meia lua, entre lençóis . e reconhecer o cheiro doce e primaveril dos teus cabelos, nos caracóis que te desenho com as pontas dos dedos .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;são fugas - e seres-me casa, a cada regresso .&lt;br /&gt;vou demorar-me, vou ficar - vou ser contigo . &lt;br /&gt;vou repetir-me, declarar-te este amor maior, muito maior do que eu, do que nós - este amor que já o era antes de o sabermos, este amor adivinhado, mil anos antes de acontecermos .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;são gavetas partilhadas e o jornal de sábado lido a meias - ou beijar-te, em câmara lenta, estudando, em deslizes mansos, o ângulo perfeito do teu nariz, desenhado a régua e esquadro . &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que não há verbos conjugados em -te, nem advérbios, nem substantivos; que não há como escrever-te o amor que te trago; que, em mim, amor será, para sempre, uma palavra de cinco letras .</content>
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    <title>rebuçado de banana</title>
    <published>2008-07-25T23:16:51Z</published>
    <updated>2008-07-25T23:18:11Z</updated>
    <content type="html">uma franja demasiado comprida, um dente esquerdo avançado . &lt;br /&gt;o sorriso que me desenhas, a noite que me acendes . &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;img src="http://ceresia.no.sapo.pt/rita032.JPG"&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;enquanto te espero - à espera de contar estrelas, invernos e cabelos brancos contigo .</content>
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    <title>junho</title>
    <published>2008-06-30T16:37:39Z</published>
    <updated>2008-06-30T16:37:39Z</updated>
    <content type="html">nunca mais serão brancas, as noites . serão, para o resto da vida, contigo, de mirtilo, meu amor .</content>
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    <title>alpendre</title>
    <published>2008-06-30T15:11:04Z</published>
    <updated>2008-06-30T15:11:04Z</updated>
    <lj:music>cat power - lived in bars</lj:music>
    <content type="html">demorar-me em ti . confirmar-te, em cada detalhe, em cada cor que não sabes e que não sei dizer-te . vermelho-azul, azul-azul .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o descompasso cardíaco, a respiração hesitante, as pontas dos dedos ansiosas . a espera aflita, a falta mutilante . os prelúdios dos beijos urgentes, em voltas de açúcar morno e lento . os silêncios entre as palavras, o amor feito entre linhas . &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tenho-te um amor que não há - e não sei, que não posso e não quero e não sei, não sei, amar-te menos .</content>
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    <title>mirtilo</title>
    <published>2008-05-14T00:13:42Z</published>
    <updated>2008-05-14T00:13:42Z</updated>
    <lj:music>cat power - maybe not</lj:music>
    <content type="html">numa desmesura ébria, descompassar o coração, como quem desalinha horas, dias ou anos, em esperas vãs .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desencontrei-te mil vezes - desencontrar-te-ia outras mil, se preciso fosse .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;regresso-te, por fim, como quem regressa a uma casa que já foi sua . reconheço o alpendre e as buganvílias cor de rosa - não desistiram de florir, a cada primavera que passou entre nós -, descalço os sapatos, alinho a franja e entro, sem medo, neste lugar onde, sem sabermos, já fomos tão absurdamente felizes .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fica, que já não posso ficar-te sem .</content>
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    <title>summer wine</title>
    <published>2008-03-31T23:44:34Z</published>
    <updated>2008-03-31T23:44:34Z</updated>
    <lj:music>ville valo &amp; natalia avelon - summer wine</lj:music>
    <content type="html">&lt;div align="center"&gt; &lt;img src="http://ceresia.no.sapo.pt/rita031.JPG"&gt; &lt;/div&gt;</content>
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    <title>bairro alto</title>
    <published>2008-01-29T09:15:54Z</published>
    <updated>2008-01-29T09:15:54Z</updated>
    <lj:music>nick cave - the ship song</lj:music>
    <content type="html">&lt;div align="center"&gt; &lt;img src="http://ceresia.no.sapo.pt/rita029.JPG"&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;img src="http://ceresia.no.sapo.pt/rita030.JPG"&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;e naquela vigésima nona noite fui, clandestina e secretamente, tua .&lt;br /&gt;e, sim, teria vestido as asas e desalinhado a franja para, arrítmica e descompassadamente, pousar na janela dos teus dias escalenos .</content>
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    <title>paris</title>
    <published>2007-12-23T00:37:40Z</published>
    <updated>2007-12-23T00:37:40Z</updated>
    <content type="html">&lt;div align="center"&gt; &lt;img src="http://ceresia.no.sapo.pt/rita028.JPG"&gt; &lt;/div&gt;</content>
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    <title>norte</title>
    <published>2007-10-10T18:12:29Z</published>
    <updated>2007-10-10T18:23:50Z</updated>
    <content type="html">&lt;font size="2"&gt;i. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em ti me reconheço, do lado de lá do espelho de uma espécie de alma, como se fosses o avesso de mim, ou a outra parte do fecho de feltro - no teu colo não sangro e, assim, adormeço a ferida e o batimento cardíaco . &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e depois és inspiração, escrevo-te como se fosses o último reduto de oxigénio, ou pequeno balão de ar, ou, até mesmo, único pulmão do meu coração mono-ventricular . &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ii. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;destravo as palavras, para ti, então, como quem desabotoa mais um botão da blusa - desabotoo-o demoradamente, obrigando-te a fingires não reparar . e o meu corpo ganha, então, balanço, para escrever no teu . &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;iii. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;porque não sei agradecer-te, dou-te um beijo, ilícito, na pálpebra direita . e desço, vertiginosamente, para beijar-te, também, a clavícula, primeiro, e as mãos, depois . e se a alça do meu vestido me desobedecer e deslizar, não será por acaso . &lt;br /&gt;&lt;/font&gt;</content>
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    <title>carrossel</title>
    <published>2007-09-05T16:13:51Z</published>
    <updated>2007-09-05T16:20:49Z</updated>
    <lj:music>diana krall - departure bay</lj:music>
    <content type="html">&lt;p&gt;o regresso poético à casa vazia - dispo as asas, cuidadosamente . no corredor, ainda pulsante, repousam, intactos, os afectos dormentes .&lt;/p&gt;</content>
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    <title>outono</title>
    <published>2005-10-18T13:40:37Z</published>
    <updated>2005-10-18T13:41:26Z</updated>
    <content type="html">&lt;div align="center"&gt; &lt;img src="http://ceresia.no.sapo.pt/rita027.JPG"&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;o quinto dia de outubro, o primeiro quarto de século .</content>
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    <title>ceresia @ 2005-08-07T13:58:00</title>
    <published>2005-08-07T13:15:01Z</published>
    <updated>2005-08-07T13:15:01Z</updated>
    <lj:music>colin hay - beautiful world</lj:music>
    <content type="html">no teu dorso, império de mim, ardemos ainda . &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fomos fome, carne, vinho, limão e mel .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e sobrevivemos – tantas vezes extintos na voracidade do fogo faminto, tantas vezes saciados, exaustos, asfixiados no nosso corpo comum, tantas vezes gastos em convulsões arqueadas e rendidas, desvairadas, tantas vezes amantes urbanos, desesperados, na desmesura veloz e descompassada de quem precisa de esvaziar-se de si e dar-se, dar-se alucinada e violentamente .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;img src="http://ceresia.no.sapo.pt/rita026.JPG"&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;somo-lo ainda .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sobrevivemos ao amor – sobrevivemos-lhe ilesos, enamorados,  enlaçados, livres e apaixonados, como dantes . como sempre .</content>
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    <title>farol</title>
    <published>2005-06-04T19:53:07Z</published>
    <updated>2005-06-04T19:53:55Z</updated>
    <lj:music>the divine comedy - if</lj:music>
    <content type="html">tu sonhaste-me - eu tropecei-te .&lt;br /&gt;tu enamoraste-me - eu rendi-te .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e tudo se resume a esta rendição doce de corpos e corações . a esta convulsão quente que arqueia o peito e nos ata os dedos . ou a esta vontade desmesurada de continuar en(tre)laçada em ti . &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;img src="http://ceresia.no.sapo.pt/rita025.JPG"&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;setecentos e trinta e seis dias a quatro mãos .</content>
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    <title>expurgação</title>
    <published>2005-04-24T20:24:55Z</published>
    <updated>2005-04-25T12:36:42Z</updated>
    <lj:music>mão morta - gnoma</lj:music>
    <content type="html">podias ser noite, morte e sono . &lt;br /&gt;morgue quente de corpos frios, humanos e perfeitos – mármore orgânico .&lt;br /&gt;suspiro de virgens incautas, asfixia de fêmeas famintas, fome de lolitas gastas .&lt;br /&gt;perda, medo e convulsão .&lt;br /&gt;fogo extinto de corpos entregues, rendidos e dados . o próprio corpo defunto e vazio, depois de ti .&lt;br /&gt;anjo redentor – demónio castrador .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;img src="http://ceresia.no.sapo.pt/rita021.jpg"&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;img src="http://ceresia.no.sapo.pt/rita022.jpg"&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;podias ser a melhor parte da humanidade putrefacta . &lt;br /&gt;as duas faces da moeda .&lt;br /&gt;vício e desvario – perdição .&lt;br /&gt;queda desfeita em penas de asas de meninas puras .&lt;br /&gt;nudez sóbria de corpos mutilados . ou beleza em estado bruto .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;podias ser palavra, carne e vida .&lt;br /&gt;vestido de princesas doutras histórias encantadas – e roçar-lhes a pele em respiração ofegante e descompassada .&lt;br /&gt;ferida aberta, sangue e dor .&lt;br /&gt;carniceiro da verdade medíocre – carcaça de lobo feroz .&lt;br /&gt;princípio e fim – ou a cereja que baloiça nos lábios alheios . &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;podias ser casa, corpo morno – abrigo de amores impossíveis .&lt;br /&gt;deleite adolescente, virgindade perdida . &lt;br /&gt;vontade, volúpia, veludo, verniz, ventre – estilhaço .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;img src="http://ceresia.no.sapo.pt/rita023.jpg"&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;img src="http://ceresia.no.sapo.pt/rita024.jpg"&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;mas és apenas &lt;a href="http://sodoma.deviantart.com/"&gt;aires&lt;/a&gt; . e isso é infinitamente maior .</content>
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    <title>caroço</title>
    <published>2005-03-31T15:12:37Z</published>
    <updated>2008-03-14T11:18:06Z</updated>
    <content type="html">quero perpetuar-te, escrever-te memória de carne, acender-te . &lt;br /&gt;e quero fazê-lo em gestos perenes, que restem para contar-te, depois de mim .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como se pudesse desfazer-te em gomos e registar-te em detalhes e cheiros teus que sei de cor .&lt;br /&gt;fazer-te sonho imutável, tingido na pele, tatuagem de fogo, marca de nascença – um sinal de que fui vida e fêmea . &lt;br /&gt;desenhar-te o perfil a tinta da china, em papel de seda – o teu perfil de imperador: o ângulo perfeito do teu nariz, as curvas do teu queixo e dos teus lábios, a tua maçã de adão, as tuas pestanas pretas, longas e a doçura das tuas pálpebras fechadas .&lt;br /&gt;tornar-te árvore e música, escrever-te livro, dissolver-te em palavras pétreas, que resistam, que te contem e te cantem, depois de ti .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hei-de esgotar-me em registos de ti, testemunhos do que somos - ou a nossa história em fragmentos de amor cristalizados . porque tu és para sempre .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e saber-se-á, depois de nós, que o amor é um fruto, um fruto alimonado e vermelho, de veludo - com caroço . porque o caroço fica-se-nos sempre - resta-nos no entrelaço macio e morno da nossa língua comum .</content>
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